quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

FAZES-ME FALTA...

Nem sei bem como...
Nem sei bem porquê...
Mas penso,
No teu sorriso,
Na vontade que tenho de rir contigo...
No teu olhar,
Que desnuda, revela intensidades fogazes...
No teu abraço,
Que envolve, que protege, que deseja...
No teu ar de inocência crescida,
Que me faz querer pegar-te e...
Fazes-me falta...
Nem sei bem como...
Nem sei bem porquê!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

I

Céu negro, sombrio lá longe, aproximando-se violentamente pela encosta fora.
Pensámos conseguir vencê-lo pela corrida, mas qual zanga incontida, ouve-se o trovejar que intimida até a alma.
Parados, incrédulos pela força de tal manifestação repentina, sentimos o pingar cada vez mais forte de uma água que parece benta, mas que de fria, gela até os ossos e sentimos a urgência da fuga.
Corremos aventureiros, fugazes na descida, sentindo nos pés o deslize da água com a relva… quase caímos pela ansiedade da chegada e como que apanhados na encruzilhada da natureza, perdemo-nos.
A chuva cai e de pingas surge o dilúvio. Tentamos ainda assim perceber o rumo certo, baralhados pela semelhança dos mesmos arbustos, da mesma relva, das mesmas árvores e como o dia se transformasse em noite, olhar ao longe era místico e imperceptível. Com o olhar embaciado pela imensidão de chuva, as dificuldades em achar alguma referência eram imensas, mas um novo trovejar iluminou o espaço e, assim, se vislumbrou o cimo da torre.
Mais uma vez, a corrida perigosa, sinuosa e escorregadia. De que adiantava tanto correr quando poderíamos saborear o momento da descoberta, de sentir no corpo a batida forte, relaxante, até, de uma chuva que parecia querer lavar a alma.
Seguimos, então, de mãos dadas calmamente amparados pela paz, pela certeza, pela confiança, pela segurança de escolhas, de momentos, de experiências…
Chegámos!
E no cimo da torre o sino tocou três vezes em uníssono com o bater da chuva no telhado, e como que em celebração pela magia do momento, a chuva parou… o silêncio reinou e nós olhámos um para o outro…
Tinha chegado a hora…

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

ÂNSIAS

Sondo as ânsias que me vão por dentro…
Tento ler, perscrutar emoções,
Se serão elas que me toldam os sentidos e enevoam …
Estarei cega ou confusa…
Ou saberei, afinal, o que sou!
Parece-me lógico, banal até… olho e vejo, sinto e entendo… sem subterfúgios ou irrealidades inventadas.
É o que é!
Sei o que sei!
Sinto o que sinto!
Ludibriada, enganada…
Estarei, serei?
Quanto mais procuro, mais a resposta me surge com a mesma redundância, com o mesmo ímpeto de uma vida já vivida… de consequências já sofridas…
Sondo as ânsias que me vão por dentro… e sei que não quero de novo o que já foi!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

GIVE UP

Sabes,
Ontem ouvi o sino que tocava lá longe…
O vento deve ter trazido até mim o seu percutar!
Não me deu esperança, nem força… foi apenas mais um momento em que ergui os pesados olhos face a algo familiar, mas que me deixei estar impávida, morta! Sem forças para sequer um grunhido de desprezo pelo incómodo!
Ali fiquei prostrada, caída, perdida.
Ali fiquei abandonada pelo meu próprio abandono, sozinha pela minha própria solidão.
Sem capacidade de ser, de viver… desistência efémera de uma qualquer incerteza até já esquecida!...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

TELA

Pinceladas de formas incertas…
Movimentos perdidos em tela imaculada,
Preenchendo vazios, enchendo de cor…